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08/03/2019 ás 10h32 - atualizada em 08/03/2019 ás 10h46

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Do Líbano para Tenente Portela
Conheça a história de Edmond Salim Ferzoli, imigrante que escolheu Tenente Portela para viver
Do Líbano para Tenente Portela

Para alguns, o destino reserva a surpresa de descobrir que a felicidade está ao seu lado, já para outros, ele guarda a felicidade, milhares e milhares de quilômetros longe de casa. Essa é a história de Edmond Salim Ferzóli, nascido no Líbano no longínquo dia 22 de novembro de 1930.


Edmond é protagonista da série de documentários realizados pelo Sistema Província de Comunicação, Personagens e Talentos da Nossa Terra, que são reproduzidos através de vídeos nas redes sociais sempre angariando milhares de visualizações, principalmente no Facebook.


A história de Edmond é como a de milhares e milhares de pessoas que deixam suas terras natais para tentar a vida longe de casa e quis o destino que esse senhor, hoje nos altos de seus quase 90 anos, viesse parar em Tenente Portela.


Edmond é rápido em dizer que hoje é brasileiro. “Sinceramente, eu nem lembro como era minha vida no Líbano.” Diz ele com o sotaque ainda bastante carregado, que o tempo não foi capaz de eliminar.


A família Ferzóli, segundo o nosso personagem, é muito importante na região de seu nascimento. Ele comenta que ainda hoje um de seus primos ocupa uma cadeira na câmara local. Edmond mantém contato rotineiramente com os parentes que moram no outro lado do mundo.


O Líbano que Edmond viveu sua infância e juventude era muito diferente deste que volta e meia aparece nos noticiários por casos relacionados a guerra. “Naquele tempo o Líbano era um dos melhores países do Oriente Médio, muita gente ia para lá para fazer turismo, era considerado a Suíça do Oriente Médio.”


Foi na capital Beirute que Edmond começou a fazer sua vida. Por lá trabalhou em diversos ofícios, passando de auxiliar de cozinha em um hotel e no restaurante da Polícia Libanesa, até metalúrgica e fábrica de móveis, mas foi na polícia que ele iniciou a sua carreira propriamente dita.


Depois de aprovado para seu primeiro contrato que precisava ser renovado a cada cinco anos, ele foi lotado na Polícia de Trânsito do Líbano. Disse que era uma vida boa. Lembra quando acompanhou um grupo de estudantes e pesquisadores estrangeiros que visitavam a região.


A história de Edmond com o Brasil foi por intermédio da irmã e de um cunhado. Ele sempre teve uma relação muito próxima dessa irmã. Um belo dia o cunhado Yuceff Ibrahim El Ammar decidiu tentar a vida no Brasil.


Se alocou em Ijuí e como mascate foi visitando diversas regiões do estado para vender produtos variados, até que encontrou Tenente Portela e gostou do local e aqui se estabeleceu no ano de 1956 abrindo a loja Casa Libanesa. Naquele ano a irmã veio embora para junto do marido.


Edmond manteve contato com a irmã por cartas. Queria saber se era bom morar aqui, mas a comunicação era muito demorada e difícil. Então quando encerrou seu contrato de cinco anos com a Polícia decidiu vir para o Brasil para visitar a irmã e o cunhado. Mal sabia que aquela seria uma viagem sem volta.


Em solo brasileiro, antes que pudesse se decidir se voltaria ou não para sua terra natal, o cunhado El Ammar faleceu e como a irmã tinha três filhos pequenos e os negócios para cuidar, ele decidiu ficar e aqui está até os dias atuais.


Como comerciante, Edmond conhece muita gente nestes tantos anos em Tenente Portela e sempre participou ativamente da vida social do município. Ele lembra com carinho da criação da Associação Portelense de Futebol. “Em 1973 o Ypiranga e o Miraguai estavam parados e então reunido com alguns amigos, decidimos criar a APORFOL. Eles disseram, “você vai ser o presidente”, eu não queria, nunca joguei bola, mas eles insistiram e a gente começou a trabalhar.” Comenta ele.


Mesmo aos 88 anos Admond Salim Ferzóli continua trabalhando em Tenente Portela, atendendo na Casa Libanesa ao lado da sobrinha Sônia. Diariamente ele caminha de sua casa até a loja onde atende os clientes e faz negócios como se o tempo não tivesse passado.


 


FONTE: Jornal Província

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