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Especiais

26/10/2018 ás 10h45

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

Uma crônica de amor
Andou pela cidade no banco traseiro de um táxi, não tinha destino, mas precisava ter esperanças
Uma crônica de amor

Ele a conheceu há muito tempo. Quando ainda eram duas crianças. Ela mudou-se para a mesma rua dele, e foi amor à primeira vista. Os olhos dela se cruzaram com dele de forma que ele jamais esqueceria. Ela também se apaixonou, eram novos é verdade, mas estavam apaixonados.


O tempo passou, ele ficou amigo dela, mas nunca teve coragem de dizer o que sentia. Para os apaixonados o tempo passa mais rápido, ele a viu crescer, viu seu corpo se transformar, muitas vezes suspirou por ela, às vezes até chorou por ela, e chorava ainda mais por ele, pela sua covardia, a sua falta de coragem de dizer que a amava como jamais ninguém a amaria.


Ela começou sair com outros caras, de certo não mais amava ele como ele amava ela, mas ele precisava falar, ele tinha que falar, mas não falou. O colegial acabou.


Ele foi para a faculdade de Direito, ela não. Ela logo foi embora, um dia quando ele voltou à casa dos pais nas férias tinha um convite sobre a mesa da teve. Era o convite para o casamento dela. Casaria em Manaus dali a três dias, ele estava em Porto Alegre, e não podia permitir que ela casasse sem que falasse o que sentia.


Pegou o primeiro avião com destino a São Paulo, da capital paulista voou em direção a capital verde do Brasil, chegou no inicio da manhã.


Sabia que não seria fácil encontra-la. Tentou contato pelo numero de telefone no convite, mas ninguém atendeu. Procurou a empresa responsável pela festa, estava fechada, então recorreu a maneira mais antiga e simples de se encontrar um endereço, agenda telefônica, não tinha nada.


Andou pela cidade no banco traseiro de um táxi, não tinha destino, mas precisava ter esperanças. Por horas andou sem destino, sem rumo, enfim parou frente a uma igreja.


Entrou, olhou para as imagens de santos que ele nunca tinha visto na vida, acho que aquela era a primeira vez que ele entrava numa igreja, orou fortemente, não com a mesma expressão de uma oração, mas fez o que seu coração mandava:


- Ola santinhos, não conheço vocês, não sei se vocês me conhecem, mas preciso da ajuda de vocês, tenho que encontra-la, nem que somente para dizer o quanto a amo, não sei mais o que fazer, minha vida esta acabada se não falar mais com ela, eu preciso olhar nos olhos dela e dizer que amo muito esta mulher. Me ajudem por favor.


Ele levantou e saiu sem falar nada, sem olhar para trás, e quando voltava novamente para o táxi teve uma idéia, claro, era simples, bastava ligar para o celular dela, vai que ela tenha o mesmo numero ainda. O telefone tocou muitas vezes, mas ninguém atendeu.


Suas esperanças começaram a se esgotar, parou na frente de um pequeno hotel, alugou um quarto, e deitou para descansar. Não conseguiu dormir, cada vez que seus olhos fechavam ele via o rosto dela, ouvia a voz dela, e sentia o cheiro dela. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele chorou. Chegou a uma conclusão que talvez ele nunca mais esquecesse, iria desistir, não podia continuar esta busca absurda, ela casaria no outro dia e ele não tinha o direito de se intrometer, e mesmo que tivesse este direito ele não iria conseguir encontra-la.


O dia amanheceu ele chamou o mesmo taxista, e andou em direção ao aeroporto, na estrada cruzou por uma cena horrível. Um acidente envolvendo um caminhão e um automóvel parece que tinha tido vitimas fatal, mas ele não parou seguiu com o táxi para o Aeroporto.


O único avião com destino de volta para casa seria apenas às 11 horas, não eram nem 9 horas ainda, ele teria que esperar, sentou-se e ficou olhando para uma televisão que ficava logo a frente. Estava passando o Bob Esponja, era bem engraçado.


Não demorou muito e logo entrou no ar um plantão extraordinário. Era a noticia do acidente que ele tinha visto na rua. Logo colocaram as fotos das vitimas, um homem que segundo a reportagem era motorista, e ela, a noiva.


Aquilo não podia estar acontecendo, ela estava morta, se ele tivesse se esforçado mais, se tivesse encontrado-a, nunca a teria perdido. A culpa era dele, ele sabia que era dele, não poderia mais viver com aquela culpa.


Sentiu naquele momento uma vontade de chorar. Lembrou todos os momentos que tiveram juntos. Se ele tivesse falado há tempos atrás que a amava tinha certeza ela não teria viajado, aquilo era culpa dele, ele sabia disso, ele acreditava nisso, acreditava tanto que pensou em tirar a sua própria vida, talvez na eternidade ele conseguiria falar a ela o quanto a amava.

FONTE: Jornal Província

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Blog/coluna Apresentador da Rádio Província FM, sub-editor do Jornal Província e escritor, neste espaço você poderá acompanhar crônicas e opiniões de Jonas Martins
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