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16/10/2018 ás 16h14

Jonas Martins

Tenente Portela / RS

A voz
"De fato, tudo o que fazemos se resume em buscar a felicidade, incessantemente"
A voz
Reprodução

Quando Deus acabou de fazer o homem, alguns anjos perguntaram:


- Ele será feliz?


- Sim, se ele quiser - respondeu o Criador.


- Mas o homem terá que fazer alguma coisa para ser feliz? – quiseram saber os anjos, com olhos esbugalhados de curiosidade. E Deus continuou:


- Sim, deverá procurar a felicidade, pois a escondi muito bem.


Então os anjos pediram permissão para fazer isso pelo homem. Reviraram cada canto do Universo à procura da felicidade. Em vão. Desanimados, ponderaram:


- Senhor, se nós não achamos a felicidade, como o pobre homem a encontrará?


- Acontece que nenhuma outra criatura poderá ter acesso ao lugar em que a coloquei; só o homem é capaz de encontrá-la – replicou o Criador.


Como Deus já havia trabalhado duro por seis dias e não via a hora de descansar, antes que os anjos lhe importunassem ainda mais, resolveu explicar logo o mistério:


- Escondi a felicidade dentro do homem, por isso não adianta procurá-la em outro lugar, nem buscar ajuda de outra criatura. Encontrá-la será uma tarefa exclusiva do homem. Tudo o que ele fizer estará relacionado com a busca desse verdadeiro tesouro.


De fato, tudo o que fazemos se resume em buscar a felicidade, incessantemente. Alguém que trabalha muito, o faz para ser feliz; quem nada faz também age assim para se sentir feliz, pois o trabalho o incomoda. Quem opta pela fidelidade matrimonial está buscando uma vida feliz; mas quem trai, também o faz pensando encontrar a felicidade nesse modo de vida. O estudante aplicado que passa vinte anos de sua vida despertando às seis horas e mergulhado em livros e aulas está buscando uma vida feliz, de sucesso profissional e financeiro. Mas se perguntarmos o que pretende quem troca livros e aulas por cama, novelas de televisão e diversões, de pronto ouviremos: “quero ser feliz, não sou idiota de gastar minha juventude estudando”.


Mudanças de residência, casamentos, divórcios, compras, vendas, invenções, construções, trabalho, ócio, passeios, comida em excesso, dieta alimentar, vícios, modo de vida disciplinado, libertinagem, castidade, amizades, brigas com vizinhos, religiosidade, ateísmo etc., são simplesmente maneiras diferentes de buscar felicidade.


O profeta Isaías faz uma observação genial sobre o tema: “Quer você se volte para a direita, quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: “Este é o caminho; siga-o” (Is 30.21). Sim, sempre haverá alguém para aconselhar: “divorcie-se”, “lute pelo seu casamento”, “perdoe”, “vingue-se”, “deboche de seus adversários políticos”, “entregue sua vida a Cristo”, “pague o mal com o bem”, dê uma surra no seu vizinho”, “seja honesto”, “seja esperto, roube também”. Para ser feliz. Não importa se achamos moralmente bom ou ruim, todo conselho semelhante a esses possui um só objetivo: ajudar na busca da felicidade.


No caminho da direita, ou da esquerda. Não importa. Há sempre uma voz a nos dizer: “você está certo”. Na verdade há duas vozes, já que esse “você está certo” pressupõe que conheçamos o certo e o errado. Ainda, é fácil perceber que o Profeta não diz haver “apenas uma voz”; ele fala de uma delas, apenas. Então, qual das duas vozes ouviremos?


A resposta é simples e clara: devemos sempre ouvir a voz que gostaríamos que os outros ouvissem quando se trata do nosso bem-estar. “Perdoe”, “pague o mal com o bem”, “tenha paciência”, “respeite a opinião política do outro”.


Essa é a voz de Deus. “Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam”. É a voz que sempre aconselha a trilhar o caminho mais difícil, sem dúvida, mas não há outra maneira de encontrarmos a felicidade verdadeira a não ser ouvindo e seguindo essa voz.


 

FONTE: Jornal Província

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Nilton Kasctin

Nilton Kasctin

Blog/coluna Promotor de Justiça, professor universitário e defensor do meio ambiente e do direito e bem estar do ser humano. Nilton Kasctin dos Santos escreve quinzenalmente no Jornal Província
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